Até agora, o Brasil vacinou apenas 1,5% da população. Com problemas similares, outros latino-americanos avançaram ainda menos, casos de Argentina (0,8%), México (0,5%) e Chile (0,4%). Por terem se movimentado antes e comprado mais vacinas, nações ricas como Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Emirados Árabes Unidos estão no caminho para chegar aos mágicos 70% ainda em 2021, segundo dados do projeto Our World In Data, da Universidade de Oxford.

(OMS). Isso levaria ao isolamento dos países em desenvolvimento por restrições de viagem e comércio, potencializando a desigualdade, além do risco de reintrodução do vírus nas regiões que conseguirem debelar surtos.

Apesar de o principal gargalo do plano de vacinação do Brasil ser a falta de vacina disponível, os problemas logísticos e de burocracia também têm um peso razoável. Tanto que, das 10 milhões de doses prontas para distribuição pelo SUS, só 3 milhões foram aplicadas até a última sexta-feira.

Se contados os 20 dias passados desde o início da campanha de vacinação, o país está vacinando cerca de 165 mil pessoas por dia, ritmo bem aquém da capacidade, diz José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa-SP:

O PNI pode vacinar, tranquilamente, 2 milhões de pessoas por dia. E esta é uma estimativa conservadora, levando em conta que só exista um vacinador em cada uma das 40 mil salas de vacinação do país — diz o médico sanitarista, que defende a criação de equipes para auxiliar os cadastros e agilizar o processo.

O que diz o governo

Procurado, o Ministério da Saúde afirmou em nota já ter garantido 354 milhões de doses de vacina, suficiente para imunizar 83% da população (com duas doses). Esse número, porém, está em contratos que ainda precisam ser honrados, com a entrega de ingrediente ativo das vacinas CoronaVac e Oxford/AstraZeneca. O número também inclui doses a serem adquiridas via Covax, consórcio articulado pela OMS.

Questionado sobre o prazo em que espera atingir volume maior de vacinados, a pasta informou não ter data específica: “O escalonamento dos grupos populacionais para vacinação se dará conforme a disponibilidade das doses de vacina, após liberação para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária”.