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Domingo, 11 de Abril de 2021

Policiais Militares de Minas Gerais alimentam deficiente físico na rua e imagem viraliza

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Nesta semana, uma foto chamou a atenção nas redes sociais. A imagem mostra dois policiais, que fazem o curso de formação de soldados, em Ipatinga (MG), alimentando um morador em situação de rua. Eles estavam no Centro da cidade, auxiliando no reforço da fiscalização da onda roxa — a medida mais restritiva do programa implantado pelo Estado de Minas Gerais, para combater o novo coronavírus.

Eles estão por aí nas praças, nos cruzamentos, no nosso dia a dia e tem gente que prefere não os ver. Em Ipatinga, são quase 250 pessoas em situação de rua, e outras 300 migrantes, que vêm e vão.

A estudante Amanda Carolina foi quem fez as fotos que circularam nas redes sociais. Ela ia para o estágio, quando viu a movimentação de pessoas e resolveu ajudar. Ela começou a conversar com o homem deitado no canteiro da praça e deu a ele uma maçã que tinha na bolsa. Em seguida, dois policiais se aproximaram.

“Ele falou que estava com fome, então, imediatamente ele [um dos policiais] começou a alimentar o senhor. Na hora que eu vi aquilo, eu falei assim: ‘eu nunca vi isso aqui na minha vida’”, contou.

Um dos policiais contou que o homem, que é deficiente físico, estava com fome e passando mal.

“Ele nos relatou que não estava simplesmente só passando mal, ele estava com muita fome. Ele tem uma certa deficiência e não consegue se locomover sozinho. A princípio, pelas perguntas que fizemos para ele, ele chegou aqui rastejando”, contou o soldado Diego Messias Leal.

O outro policial disse que se sentiu comovido ao ouvir as dificuldades do homem e logo resolveu ajudar. “O que surpreendeu a gente foi quando ele nos comoveu, dizendo que ele não conseguia se alimentar sozinho. Aí tivemos a iniciativa de abrir a marmita e sanar a dificuldade dele naquele momento”, disse o soldado Weliton de Caldas Rodrigues.

“No momento que a gente estava alimentando ele, ele estava comendo de maneira rápida. Então, falamos ‘pode comer tranquilo, tem tempo’. Nesse momento, a gente fez o acionamento da ambulância e ele foi e começou a chorar. Então, eu perguntei ‘por que o senhor está chorando’? Então, ele falou que estava com fome, mas havia dois dias que ele não se alimentava de maneira alguma”, completou Diego.

As fotos viralizaram na internet, e um gesto tão básico quebrou o gelo da falta de empatia.Aqueles policiais, eles não importaram com a farda que eles estavam carregando, pelo contrário, eles fizeram jus a ela. Eles demonstraram que realmente eles estão aqui para servir a sociedade, independente de quem seja, parabenizou Amanda.

A função da Polícia Militar vai muito além do que a maioria da sociedade enxerga, que é trazer essa qualidade de vida para o cidadão, para toda a sociedade. É uma sensação de dever cumprido, não só como policial militar, mas como um ser humano, falou Weliton.

Após perceber a proporção que a atitude em ajudar o morador em situação de rua tomou, os policiais se surpreenderam com o resultado.

“A gente não imaginava essa repercussão toda. No momento, só agimos com o instinto de ser humano e em prol da ajuda do senhor Gesser. A gente estava fazendo nosso serviço como policial mesmo, mas eu acredito que qualquer um poderia estar fazendo isso”, afirmou Diego.

Gesser Oliveira nasceu em 1985 e, até essa quinta-feira (25), estava na UPA da cidade em uma internação social. Ele contou aos militares que morou em Belo Horizonte no último mês e que estava sendo explorado nas ruas e que foi até agredido. Ele disse que conseguiu algum dinheiro e chegou em Ipatinga na quarta-feira (24), com R$ 15 no bolso. Devido às dificuldades de se locomover, ele foi deixado próximo ao canteiro da Praça 1º de Maio, no Centro de Ipatinga, onde foi encontrado.

“A pergunta reflexiva para todos nós é: ‘amanhã, quando esse senhor sair do hospital, quando ele receber alta, para onde ele vai? Para as ruas?’. Nós precisamos ter um olhar crítico com relação a tudo isso. Uma sociedade melhor, ela é feita de cobrança do estado, do poder público, com relação a todas essas questões. Nós não podemos apenas nos tornar admiradores de boas ações isoladas, nós precisamos ser veículo de cobrança e de mudança social”, alertou o doutor em sociolinguística, João Xavier.

Fonte: Tarciane Vasconcelos e Matheus Mesmer, G1 Vales

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